Segunda-feira, Setembro 04, 2006

teatro (ou a falta dele)

É sempre reconfortante voltar a casa. Talvez esta nostalgia se venha a agudizar ao longo da nossa vida, à medida que envelhecemos e nos sentimos cada vez mais longe do que outrora fomos. Onde antes sentíamos que não queriamos voltar a casa, que gostariamos que as nossas férias no continente ou estrangeiro não acabassem nunca, sentimos agora uma grande vontade de voltar a sentir a humidade do nosso ar, as nuvens que nos cobrem, o chão que pisamos e tudo o mais que nos faz sentir em casa quando voltamos para o sítio de onde partimos.
De volta de Lisboa, onde estive uns míseros três dias, sinto, contudo, que não estou a voltar a casa, mas sim a uma vaga imagem nostálgica que teima em desaparecer, de cada vez que olho em meu redor e me apercebo que em todo o lado, à excepção de Angra, se passa alguma coisa de teatro. São Miguel fervilha com peças de qualidade (algumas nem tanto, mas têm-nas) e a Terceira, que outrora fora considerada capital da cultura dos Açores (se tal faz sentido afirmar), está votada ao abandono no que concerne a peças de teatro. O Teatro Angrense teima em continuar de portas fechadas, sem ninguém que o faça renascer das cinzas, o Centro Cultural teima em viver da Internet e dos poucos filmes que exibe, e não fosse o Angra Rock e o Angra Jazz (4 a 7 de Outubro) não haveria nada em Angra que nos desse vontade de ver... especialmente teatro. E atenção, não sejamos cegos, o teatro tem muita força em Angra (e na Terceira em geral), mas parece que quem é responsável por este tipo de programação teima em aparecer esporadicamente (como as chuvas de estrelas cadentes visíveis em Portugal) e em estar de costas voltadas para parcerias com outras instituições ou edilidades que poderiam muito bem ser uma mais valia para Angra e para a Terceira.
paciência... temos o que merecemos... fomos nós que votámos (no duplo sentido da palavra) Angra a este marasmo mórbido e atípico
nihildom

1 Comments:

Blogger Miguel Linhares said...

Fomos nós que votámos e com fé! Não deixa de ser triste, mas acredito que algumas cadeirinhas deixarão de estar quentes...

7:38 PM  

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